Questionário - Análise de Resultados

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012 1 comentários
Olá :)
Como sabem, há cerca de algumas semanas realizámos alguns questionários online com o intuito de compreender o que a sociedade pensa acerca da temática do nosso projeto: Gaguez na Idade Adulta.
Apresentamos agora de seguida a análise de resultados desses mesmos inquéritos.
Queremos agradecer desde já a todos os que disponibilizaram alguns minutos do seu tempo para o preenchimento deste inquérito, contribuindo assim para o desenvolvimento do nosso trabalho. 



Análise de Resultados:
 



















Facto:
A gaguez é a perturbação mais comum da fluência. Manifesta-se por uma ocorrência anormal em frequência e/ou duração de paragens no fluxo normal da fala. Estas paragens normalmente surgem na forma de repetições (de sons, sílabas ou monossílabos), prolongamentos de sons e bloqueios no fluxo de ar durante a fala. Por isso podemos dizer que a gaguez é uma rutura na produção da fala e consequentemente na expressão verbal.





                           Outro: Nervosismo
                                       Sílabas mudas

Facto:
A principal característica da gaguez é a ocorrência anormal de interrupções no fluxo normal de fala. (Guitar, 1998) Essas interrupções podem corresponder a repetições, bloqueios no fluxo de ar, prolongamentos de sons (especialmente no início do discurso e na produção de determinados sons mais difíceis para a pessoa gaga) e uso de interjeições. Isso pode levar a que a pessoa gaga tente fugir às palavras e letras em que tem mais dificuldades, sendo que essa atitude pode levar muitas vezes a que o sentido do discurso não corresponda exatamente ao que tencionava dizer. Por vezes podem ocorrer movimentos faciais e corporais associados quando a pessoa verifica a dificuldade em produzir determinadas palavras e, por isso, intensifica a força dos músculos destinados à produção de fala e músculos complementares. O seu padrão respiratório também poderá estar alterado.
É ainda importante referir que embora isso possa acontecer com qualquer um de nós, a pessoa gaga normalmente não gagueja devido a esquecimento de palavras, mas sim devido a uma grande dificuldade momentânea da articulação de determinados sons.





                               Outro: Falta de treino dos músculos da laringe.
                                           Fatores externos de grande pressão psicológica e/ou emocional.



Facto:
Quando se fala de causas da gaguez, é necessário distinguir dois importantes aspetos: fatores predisponentes e fatores precipitantes da gaguez:
- Fatores predisponentes: fatores genéticos (ter um familiar gago, mutações de genes), neuroquímicos, alterações a nível cerebral, etc. Estes fatores isolados não podem ser responsáveis pelo surgimento da gaguez. No entanto, quando se combinam com os fatores precipitantes, podem desencadear a ocorrência desta perturbação.
- Fatores precipitantes: Pressões do meio (situações demasiado competitivas ou exigentes), fenómenos traumáticos, alterações psicológicas, ansiedade, sentimentos negativos: medo, vergonha, culpa, etc.
Assim, são importantes 2 condições para uma pessoa se tornar gaga: estar sujeita a fatores que lhe oferecem uma predisposição para o surgimento de gaguez + fatores ambientais que podem desencadear esta perturbação da fluência. Assim, acredita-se que a origem da gaguez se deva a uma combinação de várias causas. No entanto, importa referir que nem todas as pessoas que estão sujeitas a estes fatores se tornam gagas, dependendo isso de caso para caso. 



 

 
Facto:
A gaguez pode ter inúmeras implicações a vários níveis, quer pessoal, emocional, afetivo, profissional, entre outros, intensificando-se de forma negativa em situações de grande pressão social, ou seja, sempre que existam ou surjam acontecimentos com um elevado nível de stresse ou ansiedade, esta perturbação da fala será também ela intensificada.
É verdade que quem é gago enfrenta diversos problemas no seu dia-a-dia, sendo que uns encaram a vida como se a gaguez não fosse um obstáculo, enquanto outros revelam estar afetados, manifestando isso através das suas atitudes e comportamentos, mostrando-se introvertidos, tímidos, e pouco sociais. No entanto devemos frisar que enfrentando os obstáculos do dia-a-dia, é possível contornar o problema, como qualquer outra pessoa com outro tipo de dificuldade. São pessoas lutadoras que, por vezes, têm de enfrentar muitos sentimentos negativos, no entanto, continuam a esforçar-se por se expressar da melhor forma que conseguem. Merecem por isso todo o mérito e estima da nossa parte.
Para a pessoa gaga: nunca deixe que as suas dificuldades o vençam. Não desista de si nem se retraia. No final de tudo, o que tem a dizer é sempre mais o importante.  






                         Outro: Ajo normalmente, sem criar pressão.
                                     Tenho paciência

 
Facto:
A melhor forma de ajudar uma pessoa gaga é mostrar compreensão, nunca apressando a sua fala. Dar o tempo necessário para que uma pessoa gaga se possa expressar é essencial para que ela não se anule. Assim, deve-se, de facto, dar tempo à pessoa para conseguir terminar as palavras sozinha e mostrar que não há problema nenhum nisso. Afinal, todos nós no nosso dia-a-dia gaguejamos em certas situações!  






Facto:
Através das respostas obtidas nesta questão, conseguimos compreender que, na maioria dos casos, as pessoas consideram ter pouco conhecimento acerca deste tema. Na verdade, é um assunto acerca do qual ainda não existe muita informação ou, a que existe, nem sempre é fidedigna. Daí advém o facto de um dos nossos principais objetivos ser informar e esclarecer a sociedade relativamente a este assunto.





                           Outro: Desconheço
                                       Talvez       


Facto:
Julgando pelas atitudes e comportamentos que a maioria das pessoas têm na presença de uma pessoa gaga, assim como os mitos que tomam como factos, considera-se que a sociedade ainda não está suficientemente sensibilizada para esta temática. No entanto, tem havido uma boa evolução ao longo dos últimos anos, e espera-se que daqui para a frente seja sempre a melhorar.




                                               Outro: Nas escolas


Facto:
Na realidade, não há nenhum estudo que diz que um tipo de divulgação é melhor do que outro. Tudo depende do público alvo que pretendemos atingir. Não há como negar que a Internet tem vindo a crescer bastante, principalmente na última década, tendo-se tornado num dos maiores veículos de difusão de informação. A televisão continua a ser uma forma de divulgação bastante aceite e utilizada pela maioria da população. Costuma ser mais complicado chegar às pessoas através de campanhas de divulgação na rua, já conhecer alguém gago é o método por experiência que não tem substituição possível. Quando às escolas, como alguém apontou e muito bem, “de pequenino é que se torce o pepino”, e não há nada mais importante do que educar as crianças logo desde pequeninas que não há nada de errado em ser-se diferente.




Facto:
Nem tudo o que é disfluência é gaguez. Como 65% dos participantes responderam e muito bem, é normal termos uma fala menos fluente em determinadas situações. Chama-se a isso Disfluência Normal, e ocorre em situações menos favoráveis ou mais tensas, quando estamos sob pressão ou grandes quantidades de stress, como na apresentação de um trabalho, durante um discurso, entre muitos outros motivos.
 
Tal como foi dito, nem tudo o que é disfluência é gaguez. Ter-se ou não gaguez, depende, entre muitos outros fatores, da frequência em que ocorre e da própria severidade. Por exemplo, no caso de uma disfluência normal, que todos nós experienciamos, não se manifesta a toda hora; apenas em certas situações.

As pedrinhas na boca faziam parte de um tratamento antigo que se costumava fazer a quem gaguejava: acreditava-se que, se praticassem a fala com pedrinhas na boca, ficariam curados da gaguez. Não só isso é mentira e estapafúrdio, como também dificulta imenso o processo de fala em qualquer pessoa.

A gaguez não é um comportamento voluntário. Quem é gago sabe disso muito bem. Mesmo com toda a força de vontade do mundo, isso só não chega para não gaguejar. Força de vontade é o que não falta a quem sofre desta patologia, são sempre os primeiros a desejarem do fundo do coração não gaguejar, e como sabemos, isso não é uma solução. No entanto, é possível, com muita prática e intervenção em Terapia da Fala, atenuar e dissimular a gaguez.

Cada pessoa é um caso, é preciso conhecê-la para sabermos como nos dirigir a ela. Dizer a um gago para ter calma, respirar fundo e pensar antes de falar pode ajudar a uns, mas pode irritar outros. Muitas vezes não é o que é dito, mas sim a forma como é dito. O tom, por vezes, é muito mais importante do que o conteúdo da mensagem. Acima de tudo, escolha o que escolher dizer, fale sempre calmamente e seja paciente. Dê o exemplo, o que eles precisam de fazer, também têm de sentir da sua parte.

Nervosismo, ansiedade, timidez, insegurança, stress e baixa auto-estima, por si só, não causam gaguez. No entanto, podem ser fatores agravantes. Se uma pessoa for predisponente a ter gaguez, ou se for efetivamente gaga, essas disfluências podem manifestar-se com maior frequência se a pessoa estiver nervosa ou for tímida. Infelizmente, na grande maioria dos casos é o que acontece com quem gagueja. A gaguez raramente dá confiança a alguém, e isso deve-se em parte às reações que a sociedade tem. Mais uma vez, seja tolerante e compreensível.

Os gagos não são, de maneira alguma, pessoas menos inteligentes. A gaguez não reduz a inteligência a ninguém, nem se manifesta em pessoas menos inteligentes. Simplesmente, não há relação absolutamente nenhuma entre a gaguez e a inteligência duma pessoa.

Um dos objetivos do nosso trabalho tem sido a desmistificação da gaguez. E aqui está o motivo: Mais de metade dos nossos participantes ainda acreditam que o susto pode provocar a gaguez. Isto não passa de um mito. Assim como a inteligência, não há relação nenhuma entre um susto e a gaguez. Afinal de contas, se um susto provocasse a gaguez, não seriamos todos gagos?

De facto, é muito raro haver um gago que gagueje ao cantar. Isto acontece porque, ao cantar, ativamos o hemisfério direito do nosso cérebro, em oposição à fala, que ativa o hemisfério esquerdo. Ao haver um tipo de atividade cerebral diferente, é raro, dessa forma, a gaguez se manifestar. Se quiser saber mais sobre o assunto, pode dar uma vista de olhos ao tópico que temos sobre esse assunto.



Concluindo:
Como mencionado anteriormente, um dos nossos principais objetivos na realização deste projeto foi, desde cedo, a informação e sensibilização da sociedade relativamente ao tema gaguez. Para isso, seria necessário esclarecer assuntos importantes bem como expor mitos neste âmbito.
O nosso trabalho é para as pessoas. Assim, consideramos a realização deste questionário muito importante para conseguirmos compreender quais as dúvidas mais existentes e qual a melhor forma de podermos expandir conhecimento fidedigno. Por isso, queremos agradecer a todos os que dispuseram alguns minutos do seu tempo para o preenchimento deste questionário e, desta forma, ‘ajudaram-nos a ajudar-vos’.        



















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