Olá :)
Como sabem, há cerca de algumas semanas realizámos alguns questionários online com o intuito de compreender o que a sociedade pensa acerca da temática do nosso projeto: Gaguez na Idade Adulta.
Apresentamos agora de seguida a análise de resultados desses mesmos inquéritos.
Queremos agradecer desde já a todos os que disponibilizaram alguns minutos do seu tempo para o preenchimento deste inquérito, contribuindo assim para o desenvolvimento do nosso trabalho.
Análise de Resultados:

Facto:
A gaguez é a perturbação mais comum da fluência. Manifesta-se por uma
ocorrência anormal em frequência e/ou duração de paragens no fluxo normal da
fala. Estas paragens normalmente surgem na forma de repetições (de sons,
sílabas ou monossílabos), prolongamentos de sons e bloqueios no fluxo de ar
durante a fala. Por isso
podemos dizer que a gaguez é uma rutura na produção da fala e consequentemente
na expressão verbal.
Outro: Nervosismo
Sílabas
mudas
Facto:
A principal característica da gaguez é a ocorrência anormal de interrupções no fluxo normal de fala.
(Guitar, 1998) Essas interrupções podem corresponder a repetições, bloqueios no fluxo de ar, prolongamentos de sons (especialmente no início do discurso e na
produção de determinados sons mais difíceis para a pessoa gaga) e uso de interjeições. Isso pode levar a que a
pessoa gaga tente fugir às palavras e letras em que tem mais dificuldades,
sendo que essa atitude pode levar muitas vezes a que o sentido do discurso não
corresponda exatamente ao que tencionava dizer. Por vezes podem ocorrer movimentos faciais e corporais
associados quando a pessoa verifica a dificuldade em produzir determinadas
palavras e, por isso, intensifica a força dos músculos destinados à produção de
fala e músculos complementares. O seu padrão
respiratório também poderá estar alterado.
É
ainda importante referir que embora isso possa acontecer com qualquer um de
nós, a pessoa gaga normalmente não gagueja devido a esquecimento de palavras,
mas sim devido a uma grande dificuldade momentânea da articulação de
determinados sons.
Outro: Falta
de treino dos músculos da laringe.
Fatores externos de grande pressão psicológica
e/ou emocional.
Facto:
Quando se fala de causas da gaguez, é necessário distinguir dois
importantes aspetos: fatores predisponentes e fatores precipitantes da gaguez:
- Fatores predisponentes: fatores
genéticos (ter um familiar gago, mutações de genes), neuroquímicos, alterações
a nível cerebral, etc. Estes fatores isolados não podem ser responsáveis pelo
surgimento da gaguez. No entanto, quando se combinam com os fatores
precipitantes, podem desencadear a ocorrência desta perturbação.
- Fatores precipitantes: Pressões do meio (situações demasiado competitivas ou
exigentes), fenómenos traumáticos, alterações psicológicas, ansiedade,
sentimentos negativos: medo, vergonha, culpa, etc.
Assim, são importantes 2
condições para uma pessoa se tornar gaga: estar sujeita a fatores que lhe
oferecem uma predisposição para o surgimento de gaguez + fatores ambientais que
podem desencadear esta perturbação da fluência. Assim, acredita-se que a origem da gaguez se deva a uma combinação de
várias causas. No entanto, importa
referir que nem todas as pessoas que estão sujeitas a estes fatores se tornam
gagas, dependendo isso de caso para caso.
Facto:
A
gaguez pode ter inúmeras implicações a vários níveis, quer pessoal, emocional,
afetivo, profissional, entre outros, intensificando-se de forma negativa em
situações de grande pressão social, ou seja, sempre que existam ou surjam
acontecimentos com um elevado nível de stresse ou ansiedade, esta perturbação
da fala será também ela intensificada.
É
verdade que quem é gago enfrenta diversos problemas no seu dia-a-dia, sendo que
uns encaram a vida como se a gaguez não fosse um obstáculo, enquanto outros
revelam estar afetados, manifestando isso através das suas atitudes e
comportamentos, mostrando-se introvertidos, tímidos, e pouco sociais. No
entanto devemos frisar que enfrentando os obstáculos do dia-a-dia, é possível
contornar o problema, como qualquer outra pessoa com outro tipo de dificuldade.
São pessoas lutadoras que, por vezes, têm de enfrentar muitos sentimentos
negativos, no entanto, continuam a esforçar-se por se expressar da melhor forma
que conseguem. Merecem por isso todo o mérito e estima da nossa parte.
Para
a pessoa gaga: nunca deixe que as suas dificuldades o vençam. Não desista de si
nem se retraia. No final de tudo, o que tem a dizer é sempre mais o
importante.
Outro:
Ajo
normalmente, sem criar pressão.
Tenho
paciência
Facto:
A melhor forma de
ajudar uma pessoa gaga é mostrar compreensão, nunca apressando a sua fala. Dar
o tempo necessário para que uma pessoa gaga se possa expressar é essencial para
que ela não se anule. Assim, deve-se, de facto, dar tempo à pessoa para
conseguir terminar as palavras sozinha e mostrar que não há problema nenhum
nisso. Afinal, todos nós no nosso dia-a-dia gaguejamos em certas
situações!
Facto:
Através das respostas
obtidas nesta questão, conseguimos compreender que, na maioria dos casos, as
pessoas consideram ter pouco conhecimento acerca deste tema. Na verdade, é um
assunto acerca do qual ainda não existe muita informação ou, a que existe, nem
sempre é fidedigna. Daí advém o facto de um dos nossos principais objetivos ser
informar e esclarecer a sociedade relativamente a este assunto.
Outro: Desconheço
Talvez
Facto:
Julgando pelas
atitudes e comportamentos que a maioria das pessoas têm na presença de uma
pessoa gaga, assim como os mitos que tomam como factos, considera-se que a
sociedade ainda não está suficientemente sensibilizada para esta temática. No
entanto, tem havido uma boa evolução ao longo dos últimos anos, e espera-se que
daqui para a frente seja sempre a melhorar.
Facto:
Na realidade, não há
nenhum estudo que diz que um tipo de divulgação é melhor do que outro. Tudo
depende do público alvo que pretendemos atingir. Não há como negar que a
Internet tem vindo a crescer bastante, principalmente na última década,
tendo-se tornado num dos maiores veículos de difusão de informação. A televisão
continua a ser uma forma de divulgação bastante aceite e utilizada pela maioria
da população. Costuma ser mais complicado chegar às pessoas através de
campanhas de divulgação na rua, já conhecer alguém gago é o método por
experiência que não tem substituição possível. Quando às escolas, como alguém
apontou e muito bem, “de pequenino é que se torce o pepino”, e não há nada mais
importante do que educar as crianças logo desde pequeninas que não há nada de
errado em ser-se diferente.
Facto:
Nem tudo o que é
disfluência é gaguez. Como 65% dos participantes responderam e muito bem, é
normal termos uma fala menos fluente em determinadas situações. Chama-se a isso
Disfluência Normal, e ocorre em situações menos favoráveis ou mais tensas,
quando estamos sob pressão ou grandes quantidades de stress, como na
apresentação de um trabalho, durante um discurso, entre muitos outros motivos.
Tal como foi dito, nem
tudo o que é disfluência é gaguez. Ter-se ou não gaguez, depende, entre muitos
outros fatores, da frequência em que ocorre e da própria severidade. Por
exemplo, no caso de uma disfluência normal, que todos nós experienciamos, não
se manifesta a toda hora; apenas em certas situações.
As pedrinhas na boca
faziam parte de um tratamento antigo que se costumava fazer a quem gaguejava:
acreditava-se que, se praticassem a fala com pedrinhas na boca, ficariam
curados da gaguez. Não só isso é mentira e estapafúrdio, como também dificulta
imenso o processo de fala em qualquer pessoa.
A gaguez não é um comportamento
voluntário. Quem é gago sabe disso muito bem. Mesmo com toda a força de vontade
do mundo, isso só não chega para não gaguejar. Força de vontade é o que não
falta a quem sofre desta patologia, são sempre os primeiros a desejarem do
fundo do coração não gaguejar, e como sabemos, isso não é uma solução. No
entanto, é possível, com muita prática e intervenção em Terapia da Fala,
atenuar e dissimular a gaguez.
Cada pessoa é um caso,
é preciso conhecê-la para sabermos como nos dirigir a ela. Dizer a um gago para
ter calma, respirar fundo e pensar antes de falar pode ajudar a uns, mas pode
irritar outros. Muitas vezes não é o que é dito, mas sim a forma como é dito. O
tom, por vezes, é muito mais importante do que o conteúdo da mensagem. Acima de
tudo, escolha o que escolher dizer, fale sempre calmamente e seja paciente. Dê
o exemplo, o que eles precisam de fazer, também têm de sentir da sua parte.
Nervosismo, ansiedade,
timidez, insegurança, stress e baixa auto-estima, por si só, não causam gaguez.
No entanto, podem ser fatores agravantes. Se uma pessoa for predisponente a ter
gaguez, ou se for efetivamente gaga, essas disfluências podem manifestar-se com
maior frequência se a pessoa estiver nervosa ou for tímida. Infelizmente, na
grande maioria dos casos é o que acontece com quem gagueja. A gaguez raramente
dá confiança a alguém, e isso deve-se em parte às reações que a sociedade tem.
Mais uma vez, seja tolerante e compreensível.
Os gagos não são, de
maneira alguma, pessoas menos inteligentes. A gaguez não reduz a inteligência a
ninguém, nem se manifesta em pessoas menos inteligentes. Simplesmente, não há
relação absolutamente nenhuma entre a gaguez e a inteligência duma pessoa.
Um dos objetivos do
nosso trabalho tem sido a desmistificação da gaguez. E aqui está o motivo: Mais
de metade dos nossos participantes ainda acreditam que o susto pode provocar a
gaguez. Isto não passa de um mito. Assim como a inteligência, não há relação
nenhuma entre um susto e a gaguez. Afinal de contas, se um susto provocasse a
gaguez, não seriamos todos gagos?
De facto, é muito raro
haver um gago que gagueje ao cantar. Isto acontece porque, ao cantar, ativamos
o hemisfério direito do nosso cérebro, em oposição à fala, que ativa o
hemisfério esquerdo. Ao haver um tipo de atividade cerebral diferente, é raro,
dessa forma, a gaguez se manifestar. Se quiser saber mais sobre o assunto, pode
dar uma vista de olhos ao tópico que temos sobre esse assunto.
Concluindo:
Como mencionado
anteriormente, um dos nossos principais objetivos na realização deste projeto
foi, desde cedo, a informação e sensibilização da sociedade relativamente ao
tema gaguez. Para isso, seria necessário esclarecer assuntos importantes bem
como expor mitos neste âmbito.
O nosso trabalho é
para as pessoas. Assim, consideramos a realização deste questionário muito
importante para conseguirmos compreender quais as dúvidas mais existentes e qual
a melhor forma de podermos expandir conhecimento fidedigno. Por isso, queremos
agradecer a todos os que dispuseram alguns minutos do seu tempo para o
preenchimento deste questionário e, desta forma, ‘ajudaram-nos a
ajudar-vos’.


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1 comentários:
Qual é o número de indivíduos que compõem a vossa amostra? É importante caracterizar a amostra antes de apresentarem os resultados (nº, idades, distribuição por género).
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